Pelo próprio Tanach (Primeiro Testamento), vemos que o relacionamento homem e YHWH sempre foi pela graça do último. Isso fica bem evidente por exemplo nos clamores de David nos Tehilim (Salmos) - e até mesmo pelo relacionamento dEle com Israel.
Contudo, com o tempo começou a nascer entre os p'rushim (fariseus) uma idéia de justificação por méritos - cada mitsvá (mandamento) cumprido seria um degrau para se atingir o olam habá (mundo vindouro). De certa forma, o Judaísmo até hoje anda por essa linha.
Creio que Fp 3 seja uma reação a esse pensamento, onde Rav. Sha'ul (Paulo), uma pessoa que provavelmente fora ensinado a ajuntar mérito de mitsvá (mandamento) em mitsvá (mandamento), se deu conta de que tudo era em vão, pois YHWH não se relaciona com o homem com base no mérito humano.
Se entendermos o contexto farisaico, ao qual o próprio Rav. Sha'ul (Paulo) apela na construção de seu raciocínio, fica fácil compreendermos a mensagem dele.
O erro se dá quando caímos no outro extremo, ao considerar as cartas de Rav. Sha'ul (Paulo) como um convite a descartar qualquer tipo de obediência.
Devemos lembrar que as cartas tanto de Rav. Sha'ul (Paulo) quanto dos demais emissários são “tratados” (algo muito comum na época) - normalmente escritos para lidar com situações específicas. Normalmente lidando com extremismos.
Se tirarmos as cartas dos seus contextos, podemos cair em erros teológicos tais como salvação por obras, “graça barata”, entre outros.
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